Há vários fatores a se considerar para se revestir uma superfície em Fibra de Vidro, vamos nesta edição dar algumas dicas, para que desta forma, o usuário obtenha excelentes resultados em revestimentos de piscinas e derivados em cima de massa a base de cimento:
A massa final do reservatório deverá ser feita com areia média peneirada na base de 3 x 1 e isenta de cal.
Por que sem cal? O Cal, já foi comprovado, que de dois a quatro anos deteriora a fibra de vidro, quebrando assim a cadeia de resistência mecânica com a fundição de fibra e resina. Esta prática é muito contestada por pedreiros, pois assentar massa sem cal requer uma mão de obra muito maior, bem como, a cal por um determinado tempo tende a se decompor em forma de pó, agindo assim como desmoldante entre o cimento e o laminado de fibra de vidro. Um exemplo de tal fato é muito observado em reboques convencionais de paredes que com +/- 5 anos começam a se descascar em forma de pó!
O Cimento, por si só, tem em sua reação uma acidez elevada após sua cura, onde não se fundem, ou melhor, inibem e bem a aderência da fibra de vidro com a massa, além de sua cura total ser de no mínimo 30 dias. Dentro desse período o mesmo chega até a se movimentar, como pode se dar como exemplo as paredes rebocadas e em seguida aplicado um revestimento à base de azulejo, na maioria das vezes, notamos trincas no azulejo devido a sua locomoção. No caso da colocação com massa normal o azulejo chega a soltar e se colocado com cimento-cola, uma massa bem mais resistente, o azulejo trinca, fazendo um longo caminho na parede.
Após 30 dias de cura é necessário o preparo da parede para se prosseguir o revestimento em Fibra de Vidro, de tal forma:
Em primeiro lugar devemos neutralizar a acidez do cimento com ácido moriático na proporção de 1 x 10 partes, ou seja, uma parte de ácido para 10 partes de água. O mesmo poderá ser aplicado na parede com um rolo de lã de 23 cm.
Em seguida devemos neutralizar o ácido após 5 minutos, pois caso isso não aconteça, ele irá atacar em demasia o próprio cimento, podendo prejudicar até na ferragem da estrutura, condenando assim o reservatório.
Para neutralizarmos o ácido moriático usamos bicarbonato na proporção de 100grs de bicarbonato para 20 lts de água. Também deverá aplicar com outro rolo de lã de 23 cm. Após o término da aplicação lavar todas as paredes com água e detergente neutro em abundância.
Após seu enxágüe e secagem, as paredes estão prontas para receber o revestimento.
Depois de 24 horas de secagem da superfície, é necessário a aplicação de Etanol (álcool de posto) em toda superfície com um pano limpo e em seguida passar outro pano limpo e seco para a retirada de todo ou qualquer resíduo oleoso ou úmido que possa ter na parede que comprometa a aderência da laminação em sua superfície. Desta fase para frente, é muito importante o uso de uma meia grossa nos pés, com um saco plástico em cada pé, impossibilitando assim a oleosidade do suor do corpo em contato com a superfície.
Recomenda-se o uso de manta 450grs nas duas primeiras camadas. Após sua cura, usar uma lixa grossa para a retirada de pontas que ficaram e que virão a comprometer o acabamento final. Tão logo isso ocorra, varrer o pó e aplicar o véu de poliéster. Quando o mesmo estiver seco usar uma lixa média para retirar as pontas e pequenas ondulações que ficaram. Em especial recomenda-se a mistura de 30% de resina flexível na resina de laminação e de preferência uma resina de laminação de baixa contração, ficando assim bem próxima com a contração do cimento concreto (as de DCPD são ótimas para essa finalidade).
Agora basta a aplicação de um gel primer, aplicadas com pistola apropriada e em camadas bem finas e sem parafina, com intervalo de 40 em 40 minutos sempre com uma lixa média corrigindo as pontas.
Após a última aplicação do gel primer, usar uma lixa fina para alisar toda a superfície, (a lixadeira de cinta vai muito bem para este acabamento) varrer bem o pó e retirá-lo. Esta cura total se dará no mínimo em 5 dias, não seguir com o processo antes deste período.
Daí para frente você poderá pintá-la com Tinta Pu Náutica ou Gel-Coat, as explicações das mesmas estão no mesmo link de Dicas!
Importante: Algumas empresas usam, às vezes, resinas de laminação para confecção de gel primer, neste caso esta aplicação é totalmente condenável, pois caso a resina de laminação possua parafina, (mesmo em pequena quantidade) este laminado estará com um desmoldante na superfície do gel primer, convém perguntar deste fato ao fabricante do gel primer.